O primeiro desafio é o lençol freático mais elevado, típico de terreno próximo à água. Em propriedades de margem de represa, o nível do lençol freático tende a estar mais alto que o de terreno afastado, o que interfere diretamente na capacidade de absorção do sumidouro. Um sistema dimensionado sem considerar essa proximidade pode saturar com mais frequência do que um equivalente em terreno seco, porque o solo já parte de um nível de umidade maior antes mesmo de receber o efluente da fossa. Em anos de chuva mais intensa na bacia que alimenta a represa Jaguari, essa elevação do nível pode se manter por semanas seguidas, período em que vale redobrar a atenção a qualquer sinal de absorção mais lenta do que o habitual no sumidouro.
O segundo é a variação do nível da represa Jaguari ao longo do ano. Represas de abastecimento e regularização têm nível de água que varia conforme a estação e a operação do sistema, e essa variação pode aproximar ou afastar a linha d'água da estrutura de fossa e sumidouro em propriedades muito próximas à margem. Em período de nível mais alto, a margem de segurança entre o sistema de esgoto e o lençol freático fica reduzida, o que exige atenção redobrada ao dimensionamento e à manutenção preventiva. Esse tipo de terreno também responde de forma diferente à chuva direta: solo já próximo da saturação por conta do lençol freático elevado tem menos capacidade de absorver um volume extra de água de chuva, o que pode se refletir em sintomas que aparecem justamente nos dias de temporal mais forte.
O terceiro é o uso intenso da propriedade em finalidades ligadas à água, como lavagem de equipamento náutico e área de convivência à beira da represa. Esse uso não entra diretamente na rede de esgoto sanitário, mas mantém parte do terreno próximo à casa mais úmido do que estaria naturalmente — variável relevante quando existe sumidouro ou caixa de infiltração nas proximidades, e que precisa ser considerada num diagnóstico correto do sistema. Vale notar que esse tipo de uso concentrado costuma ocorrer nos fins de semana e feriados, quando a casa recebe mais visitas para aproveitar a represa — o que aproxima parte do comportamento do sistema ao de uma propriedade de uso intermitente, mesmo quando a residência é ocupada de forma fixa.