O primeiro desafio é a obstrução por objeto ou material sólido. Em bairro de alta densidade residencial, com muitas casas e apartamentos de padrão médio, o número de usuários por trecho de rede é maior do que num condomínio rural, o que também aumenta a chance de descarte inadequado de material sólido — fralda, absorvente, cotonete, resto de obra — que causa obstrução na tubulação interna da própria unidade ou no ramal que liga à rede coletora da rua.
O segundo é a raiz de árvore em ramal mais antigo. O Parque Residencial Nirvana tem parte de sua infraestrutura mais antiga do que loteamentos recentes de Atibaia, e árvores de arborização urbana plantadas há décadas podem ter raízes que já alcançaram a profundidade da tubulação de esgoto em alguns trechos. Esse tipo de obstrução costuma ser recorrente no mesmo ponto, diferente de uma obstrução única por objeto, e pede diagnóstico específico para confirmar a causa antes de definir o tipo de intervenção.
O terceiro é a caixa de gordura de uso residencial não dimensionada para uso intenso. Em cozinhas que recebem uso diário de uma família, sem manutenção periódica da caixa de gordura, o acúmulo de resíduo de óleo e gordura ao longo dos meses reduz progressivamente a vazão do ramal da pia, até que o escoamento fica perceptivelmente mais lento — um sintoma gradual, diferente da obstrução súbita causada por objeto sólido.
O quarto ponto de atenção é o uso em feriado e fim de semana prolongado, quando o bairro recebe visitas de família e o volume de uso das residências aumenta de forma temporária. Em rede coletora consolidada, esse pico geralmente não é problema para a rede pública em si, mas pode expor uma fragilidade já existente na tubulação interna da casa, como um ramal com início de acúmulo de gordura ou raiz que ainda não tinha se manifestado com uso normal. Um sintoma que só aparece em dia de maior movimento costuma ser sinal de que o ramal já estava no limite antes mesmo do pico de uso.