O ponto de partida de qualquer avaliação na Riviera do Jaguari é a variedade de tamanhos dos lotes. Em um loteamento onde todos os terrenos têm a mesma metragem, é possível assumir que o sistema individual de cada casa foi dimensionado em condições parecidas — mesma área disponível para o sumidouro, mesma distância entre a fossa e a divisa, mesma folga para instalar caixas de inspeção. Aqui não é assim. Um terreno mais generoso permitiu, na época da construção, um sumidouro com área de infiltração ampla e afastado da residência; um terreno menor, na mesma rua, obrigou a solução a caber num espaço bem mais restrito. O resultado prático é que duas casas com o mesmo número de moradores e a mesma rotina podem ter comportamentos completamente diferentes do sistema de esgoto, e é por isso que o relato do vizinho, embora útil como referência de contexto, não serve como diagnóstico da propriedade ao lado.
O segundo desafio é a relação entre a cota do terreno e o nível da represa. A Riviera do Jaguari se distribui às margens do reservatório, o que significa que os lotes não estão todos na mesma altura em relação à água. Nas porções mais baixas, próximas à margem, os sistemas de fossa em alguns pontos ficam próximos ao nível do lençol freático — e esse lençol sobe e desce acompanhando o volume do reservatório. Quando a represa está mais cheia, o solo ao redor do sumidouro fica mais saturado e a capacidade de absorção cai. É um comportamento que confunde bastante o morador, porque o sistema que operou sem qualquer sinal de problema durante meses passa a apresentar lentidão sem que nada tenha mudado dentro de casa: o número de pessoas é o mesmo, o uso é o mesmo, mas a condição do solo lá fora não é. Em terrenos de cota mais alta dentro do próprio condomínio, esse mesmo período de represa cheia costuma passar despercebido.
O terceiro fator é o descompasso entre o dimensionamento original e o uso atual da propriedade. Muitas casas às margens da represa foram erguidas com um perfil de ocupação em mente — fim de semana, poucas pessoas, uso leve — e ao longo do tempo passaram a receber grupos maiores, receber visitas com mais frequência ou até virar moradia de quem trabalha de forma remota. O sistema individual, porém, continua sendo o mesmo que foi instalado para a rotina antiga. Quando essa mudança de uso acontece num lote menor, onde o sumidouro já tinha pouca folga desde o início, o desequilíbrio aparece mais cedo. Combinando lote de tamanho variado, cota em relação à água e mudança de rotina, a Riviera do Jaguari acaba concentrando situações bastante particulares de casa para casa — e é exatamente essa particularidade que exige avaliação individual antes de qualquer intervenção.